Evelin Ribeiro
7 maio 2009

Tem coisa melhor que a poupança?

Qual seria, depois da poupança, o próximo passo para guardar suas economias? É o que muita gente, principalmente das classes com renda mais baixa, se pergunta. Afinal, o rendimento às vezes desanima (em 2008, houve ganho real de apenas 1,89% com rentabilidade de 7,9% descontada a inflação do IPCA de 5,91%). Perguntar para o gerente do banco pode não ser a melhor forma de obter uma sugestão isenta. De praxe, o conselho é o CDB que, apesar de ser um investimento de risco reduzido, possui uma série de implicações nem sempre bem esclarecidas.

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. É uma espécie de “empréstimo” que nós fazemos ao banco. Eles precisam de dinheiro para girar seus programas de empréstimos, financiamentos e até para manter seus altos limites para o cartão de crédito e cheque especial. Antes que você pague tais “créditos” ao banco, ele paga sua dívida na loja onde você comprou. Logo, ele precisa captar muito dinheiro. 

Como todo empréstimo cobra juros na hora de pagar, quando você aplica no CDB, o juros que o banco paga para você vem na forma de rendimento da aplicação.

Diferente da poupança que, por lei, exige que ao menos 65% de todo o dinheiro captado pelo banco seja revertido para o empréstimo imobiliário, no CDB, o capital pode ser usado para financiar o que o banco quiser. Muito mais interessante para ele, certo?

Não é à toa que o CDB só tem aumentado em volume de aplicações, em detrimento da captação da poupança. Com a atual crise do crédito, na qual falta dinheiro às instituições para circular a grana, os bancos têm tentado de todas as formas aumentar sua captação nessa modalidade. Para isso, muitas instituições têm colocado nomes em seus CDBs mega parecidos com a palavra “poupança”. Não quero discutir o mérito ou legalidade disso, mas que confunde, confunde! Ainda mais quando não avisam que com a CDB a rentabilidade pode ficar até negativa – especialmente caso o aplicador precise de dinheiro antes da data prevista. 

Bom, o mais triste é que muita gente – eu mesma quase caí nessa - acredita simplesmente que o CDB é garantia certa de rendimento maior que a poupança. Deveria ser. Mas a verdade é que, enquanto a poupança não tem qualquer dedução de imposto de renda, o rendimento do dinheiro colocado no CDB, na hora do saque, sofre desconto do IR. Aquela famosa alíquota regressiva: 15% depois de 2 anos com o dinheiro investido; 17,5% entre 1 e 2 anos e 20% entre 6 meses e 1 ano! Com menos de seis meses aplicado, o desconto é de 22,5%, muito grande quando se pensa que a ideia é deixar o dinheiro ali para crescer. E, apesar de o CDB prometer rendimentos maiores que o da poupança – conhecida como a aplicação mais conservadora e menos rentável – no fim das contas, o investidor pode ter uma baita decepção.

Na poupança, o maior “risco” é a perda do poder de compra no loooongo prazo, caso aumente a inflação. Mas a liberdade de começar a poupar com qualquer quantia e de sacar o dinheiro quando quiser é uma facilidade sem igual, principalmente para aqueles que não têm certeza de como vão pagar as contas amanhã. O pior que pode acontecer é ele não obter nenhum rendimento, mas apenas no caso dele querer sacar o dinheiro antes da aplicação completar 30 dias.

Você deve ter ouvido falar bastante do rendimento da poupança nos últimos tempos. Ela está em xeque. Sabe por quê? As recentes reduções na taxa Selic, bem como a queda na bolsa causada pela crise, têm feito com que muitos fundos de investimento que aplicam em títulos públicos e/ou ações tenham uma queda brusca no rendimento. Já o rendimento da poupança, que é de 6%, protegido por lei e livre de qualquer imposto, permanece inalterado e, por incrível que pareça, surgiu como uma alternativa melhor que muitos outros investimentos.

É claro que essa questão já chamou a atenção dos chefões do Brasil. A tendência é que a Selic continue caindo, pelo menos até o final do ano, como forma de reduzir a estagnação econômica causada pela crise.

Então, o governo tem estudado alterações no rendimento da poupança, atrelando-o à Selic ou diminuindo – até mesmo eliminando – a Taxa Referencial (uma porcentagenzinha acrescentada ao 0,5% garantido por lei no rendimento diário da poupança). 

As últimas notícias sobre essas “negociações político-econômicas” dão conta de que a poupança pode ser alterada de forma que renda sempre 65% da Selic . O número, porém, ainda não está fechado e o governo está prometendo que o pequeno poupador não será lesado. Devemos acompanhar o andamento das negociações sobre a mudança. Infelizmente, estou aguardando com grande pessimismo pela decisão.

Enquanto nada muda, a poupança ainda é interessante para uma determinada parcela da população – não a todos, claro! Isso não é uma campanha contra o CDB. Pelo contrário. Este é um investimento interessante, principalmente se o investidor conseguir negociar com o gerente uma taxa de rendimento ainda maior (a porcentagem do CDI que renderá no seu CDB). Mas fica o alerta para que os interessados façam as contas. Afinal, taxa daqui e taxa dali fazem, sim, a diferença – nem sempre positiva.

Resumindo, se a intenção é comprar uma geladeira no fim do ano e evitar o carnê das Casas Bahia, não tem nada melhor que a poupança. Não tem opção mais adequada para esse público. E não há nada de errado nisso, mesmo que a poupança renda pouco. Afinal, os brasileiros precisam começar a aprender a investir para o longo prazo de verdade, para a aposentadoria, garantindo, assim, um futuro melhor. No curto/médio prazo, não dá para fantasiar muito.

Evelin Ribeiro é jornalista  formada pela Universidade Metodista de SP e mantém o blog Papo Economico para ajudar as pessoas que ganham pouco a lidar melhor com o dinheiro.

4 Comentários para o artigo "Tem coisa melhor que a poupança?"

Quer exibir sua foto? É fácil, basta cadastrar no site Gravatar o e-mail utilizado para fazer os comentários.


  1. Ricardo disse:
    8 maio, 2009 às 4:09 pm

    Muito bem Débora.
    Incentiva mesmo, pois o governo vai surrupiar todo o dinheiro de nossa poupança a qualquer hora, assim como Collor fez.

  2. Fernando disse:
    28 maio, 2009 às 10:52 am

    Alguém para deixar um comentário desse, como o do Ricardo, só pode estar vivendo em outro planeta. É péssimo ver como o trauma de governos anteriores cega as pessoas para não enxergarem o futuro. E nem mesmo acreditarem que algo possa ser melhor.

  3. Carlos disse:
    29 junho, 2009 às 6:52 pm

    Bom meu caro fernando (se for realmente seu nome)em primeiro lugar em se falando de politica todo cuidado é pouco pois são interesses x interressados,e o Ricardo como todos nós Brasileiros já estamos cansados de tomar na cara e se vc realmente leu o artigo pode ver que a politica é sempre a politica interresses x interressados….
    - Muito obrigado Evelin Ribeiro,exelente artigo!

  4. Janderson M. Félix disse:
    14 julho, 2009 às 1:49 pm

    Se tem coisa mehor que poupança? Sim, ter dinheiro nela…xD

    Abraçoos…

Deixe seu Comentário: