Livro também é mídia
Cada vez é mais difícil manter as crianças nas escolas. O nível de desemprego faz com que as famílias procurem escolas públicas para seus filhos e, ainda assim, aqueles que podem optar por uma escola particular enfrentam muitas dificuldades em poder comprar os materiais no início de cada ano.
Por outro lado, empresas gastam milhões de reais para atingir um público alvo para divulgar seus produtos em mídia adequada e segmento de mercado. O fato é que, de uma forma ou de outra, as empresas atingem seus objetivos e o seu mercado alvo. Somente dependem da escolha de uma mídia adequada. De maneira geral, os veículos utilizados significam altas somas por minuto de televisão, ou por publicações em periódicos que são jogados fora dentro de uma semana.
O que está limitando a visão para termos uma educação mais barata é a ortodoxia de que os livros escolares não podem ter conteúdo comercial.
Ora, por onde a criança passa é atingida por conteúdo comercial. Não é isto que irá influenciar na boa ou má educação da criança. O importante é que aprenda as lições de matemática, geografia, meio ambiente, etc.
Assim sendo, por que não oficializar que livros e cadernos escolares possam ter conteúdo comercial?
A exemplo do que já foi feito em Joinville, onde as empresas pagaram por uniformes escolares, dever-se-ia permitir que as editoras de livros vendessem conteúdo comercial nos livros escolares, desde que estes sejam distribuídos gratuitamente para escolas públicas e particulares.
Certamente, deveriam ser adotadas algumas estratégias complementares, como não permitir anúncios de produtos inadequados às crianças e limitar o número de páginas de conteúdo comercial em cada publicação.
Assim, as agências de propaganda passariam a contar com mais uma mídia para sugerir aos seus clientes. Poderiam ser feitos canetas, lápis, cadernos, livros e todo material escolar desde que distribuído gratuitamente. Ao contrário das demais mídias, que duram 30 segundos, ou uma semana, esta mídia dura o ano todo, e muitas vezes ainda fica para recordação ou para o irmão mais novo.
Por que não termos no material escolar conteúdo comercial tal como: “Nescau tem gosto de Festa”, “Coca- Cola é isso aí”? Por que não a Antarctica patrocinar o livro de matemática para o primeiro ano do segundo grau e a Nestlé patrocinar o livro de história do terceiro ano do segundo grau?
Fica aqui a sugestão aos nossos governantes para que façam um projeto de lei.
















Novembro 18th, 2008 at 12:40 pm
Para mim, mural de escola é mídia, mas as escolas utilizam este espaço apenas como veículo de endomarketing, limitando a potencialidade que as escolas têm como excelente canal de comunicação.
Entretanto, seria necessária uma enorme fiscalização do conteúdo das propagandas, visto que as crianças, jovens e adolescestes são os consumidores de hoje e os formadores de opinião de amanhã, portanto há de se avaliar até que ponto a propaganda não seria utilizada como estratégia essencialmente comercial sem guardar a observância aos valores éticos, socialmente corretos e ambientalmente responsáveis que precisam ser ensinados nas escolas.
As escolas poderiam cercar-se de patrocinadores que estejam comprometidos a investir em comunicação social e ambiental, pois desta forma, não haveria resistência por parte de outros formadores de opinião que poderiam sentir-se ameaçados por ver outra marca sendo veiculada em detrimento de outra que ele, eventualmente, aprove.
A Microsoft, em sua infindável guerra contra o software livre, lançou um programa de incentivo ao uso de seus softwares através da venda de suas licenças de uso por US$ 3 (três dólares), desde que o comprado seja uma instituição de ensino.
O mundo inteiro sabe que o caminho para o desenvolvimento de um país está na educação, mas existe uma grande diferença entre saber e fazer.
Vamos fazer a diferença. O projeto TOC para Crianças é uma iniciativa fantástica que já trabalha nesta direção.
Somos Formigas por excelência e, portanto, o “fazer” é inerente ao nosso ser.
Eduardo Álvares Bomfim Jr.