Formigas com Microfone
20 maio 2009

Por que precisamos da CPI da Petrobras?

Não importa se a Comissão Parlamentar de Inquérito é ou não política. Precisamos dela. O motivo? Para começar, fortalecer o Tribunal de Contas da União como um órgão de padrão e também tornar o contribuinte mais forte. Afinal, se vivemos uma era de ouro e petróleo – mesmo com o preço do álcool inalterado para qualquer cidadão – é sinal de que hoje a principal empresa pública movimenta muito dinheiro.

E nós sabemos que isso demanda mais fiscalização e o olho do Estado e da sociedade nessas movimentações.

Entenda o caso: Alegando ter créditos de 2008, a Petrobras deixou de recolher R$ 3,9 bilhões em tributos neste ano. Deste total, R$ 1,8 bilhão seria relativo a mudanças cambiais. A Receita Federal contesta a ação da estatal.

Se qualquer cidadão tiver seus acertos com o Estado em problemas, será chamado. Dirigentes da Estatal argumentam que a CPI pode “paralizar” o trabalho porque convocaria seus dirigentes para depor. Porém, qualquer empresa, privada ou pública, não corre esses riscos? Em qualquer caso, outros cidadãos não têm o dever de comparecer e explicar suas contas?

A CPI será positiva para comprovar que a Petrobras não está de acordo com os interesses de um governo, mas em comum acordo com o objetivo do Estado. Precisamos dessa comissão para investigar as suspeitas e, desmentindo ou confirmando, comprovar que o nosso País se preocupa com o nosso dinheiro.

Formigas com Microfone
18 maio 2009

Bolsa Família sofre assalto

Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) cruzou dados que confirmaram milhares de irregularidades na concessão dos benefícios do Bolsa-Família, maior programa do Governo Federal. De acordo com a investigação, existem milhares de irregularidades na concessão dos recursos usando o dinheiro dos impostos que você paga para que alguns poucos se beneficiem.

O Tribunal de Contas da União (TCU) flagrou milhares de irregularidades na concessão dos recursos do maior programa social do governo federal.  O que isso significa? É dinheiro público que um grupo movidos pela ganância, não hesita em surrupiar. Vale lembrar que o Bolsa-Família tem como objetivo justamente enviar recursos para quem realmente necessita de socorro oficial. Ao invés do Estado cumprir sua obrigação de garantir o bem-estar de todo cidadão, ele ajuda a sustentar o luxo de uma minoria desonesta.

Quais são as lições desse episódio?

Embora esse tipo de comportamento seja de uma minoria entre os mais de 180 milhões de brasileiros, existem buracos na segurança que são inaceitáveis quando falamos de verba pública. Eu, você e todos os que pagamos impostos tentamos cuidar bem do nosso dinheiro. E isso significa ser rigoroso tanto na seleção dos beneficiados pelo programa quanto intensa fiscalização no dinheiro liberado. Não é razoável saber que famílias de empresários, donos de veículos internacionais e até mesmo pessoas mortas ganharam dinheiro com o programa.

Evelin Ribeiro
7 maio 2009

Tem coisa melhor que a poupança?

Qual seria, depois da poupança, o próximo passo para guardar suas economias? É o que muita gente, principalmente das classes com renda mais baixa, se pergunta. Afinal, o rendimento às vezes desanima (em 2008, houve ganho real de apenas 1,89% com rentabilidade de 7,9% descontada a inflação do IPCA de 5,91%). Perguntar para o gerente do banco pode não ser a melhor forma de obter uma sugestão isenta. De praxe, o conselho é o CDB que, apesar de ser um investimento de risco reduzido, possui uma série de implicações nem sempre bem esclarecidas.

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. É uma espécie de “empréstimo” que nós fazemos ao banco. Eles precisam de dinheiro para girar seus programas de empréstimos, financiamentos e até para manter seus altos limites para o cartão de crédito e cheque especial. Antes que você pague tais “créditos” ao banco, ele paga sua dívida na loja onde você comprou. Logo, ele precisa captar muito dinheiro. 

Como todo empréstimo cobra juros na hora de pagar, quando você aplica no CDB, o juros que o banco paga para você vem na forma de rendimento da aplicação.

Diferente da poupança que, por lei, exige que ao menos 65% de todo o dinheiro captado pelo banco seja revertido para o empréstimo imobiliário, no CDB, o capital pode ser usado para financiar o que o banco quiser. Muito mais interessante para ele, certo?

Não é à toa que o CDB só tem aumentado em volume de aplicações, em detrimento da captação da poupança. Com a atual crise do crédito, na qual falta dinheiro às instituições para circular a grana, os bancos têm tentado de todas as formas aumentar sua captação nessa modalidade. Para isso, muitas instituições têm colocado nomes em seus CDBs mega parecidos com a palavra “poupança”. Não quero discutir o mérito ou legalidade disso, mas que confunde, confunde! Ainda mais quando não avisam que com a CDB a rentabilidade pode ficar até negativa – especialmente caso o aplicador precise de dinheiro antes da data prevista. 

Bom, o mais triste é que muita gente – eu mesma quase caí nessa - acredita simplesmente que o CDB é garantia certa de rendimento maior que a poupança. Deveria ser. Mas a verdade é que, enquanto a poupança não tem qualquer dedução de imposto de renda, o rendimento do dinheiro colocado no CDB, na hora do saque, sofre desconto do IR. Aquela famosa alíquota regressiva: 15% depois de 2 anos com o dinheiro investido; 17,5% entre 1 e 2 anos e 20% entre 6 meses e 1 ano! Com menos de seis meses aplicado, o desconto é de 22,5%, muito grande quando se pensa que a ideia é deixar o dinheiro ali para crescer. E, apesar de o CDB prometer rendimentos maiores que o da poupança – conhecida como a aplicação mais conservadora e menos rentável – no fim das contas, o investidor pode ter uma baita decepção.

Na poupança, o maior “risco” é a perda do poder de compra no loooongo prazo, caso aumente a inflação. Mas a liberdade de começar a poupar com qualquer quantia e de sacar o dinheiro quando quiser é uma facilidade sem igual, principalmente para aqueles que não têm certeza de como vão pagar as contas amanhã. O pior que pode acontecer é ele não obter nenhum rendimento, mas apenas no caso dele querer sacar o dinheiro antes da aplicação completar 30 dias.

Você deve ter ouvido falar bastante do rendimento da poupança nos últimos tempos. Ela está em xeque. Sabe por quê? As recentes reduções na taxa Selic, bem como a queda na bolsa causada pela crise, têm feito com que muitos fundos de investimento que aplicam em títulos públicos e/ou ações tenham uma queda brusca no rendimento. Já o rendimento da poupança, que é de 6%, protegido por lei e livre de qualquer imposto, permanece inalterado e, por incrível que pareça, surgiu como uma alternativa melhor que muitos outros investimentos.

É claro que essa questão já chamou a atenção dos chefões do Brasil. A tendência é que a Selic continue caindo, pelo menos até o final do ano, como forma de reduzir a estagnação econômica causada pela crise.

Então, o governo tem estudado alterações no rendimento da poupança, atrelando-o à Selic ou diminuindo – até mesmo eliminando – a Taxa Referencial (uma porcentagenzinha acrescentada ao 0,5% garantido por lei no rendimento diário da poupança). 

As últimas notícias sobre essas “negociações político-econômicas” dão conta de que a poupança pode ser alterada de forma que renda sempre 65% da Selic . O número, porém, ainda não está fechado e o governo está prometendo que o pequeno poupador não será lesado. Devemos acompanhar o andamento das negociações sobre a mudança. Infelizmente, estou aguardando com grande pessimismo pela decisão.

Enquanto nada muda, a poupança ainda é interessante para uma determinada parcela da população – não a todos, claro! Isso não é uma campanha contra o CDB. Pelo contrário. Este é um investimento interessante, principalmente se o investidor conseguir negociar com o gerente uma taxa de rendimento ainda maior (a porcentagem do CDI que renderá no seu CDB). Mas fica o alerta para que os interessados façam as contas. Afinal, taxa daqui e taxa dali fazem, sim, a diferença – nem sempre positiva.

Resumindo, se a intenção é comprar uma geladeira no fim do ano e evitar o carnê das Casas Bahia, não tem nada melhor que a poupança. Não tem opção mais adequada para esse público. E não há nada de errado nisso, mesmo que a poupança renda pouco. Afinal, os brasileiros precisam começar a aprender a investir para o longo prazo de verdade, para a aposentadoria, garantindo, assim, um futuro melhor. No curto/médio prazo, não dá para fantasiar muito.

Evelin Ribeiro é jornalista  formada pela Universidade Metodista de SP e mantém o blog Papo Economico para ajudar as pessoas que ganham pouco a lidar melhor com o dinheiro.

“A Crise não quebra a empresa, fluxo de caixa é que quebra empresa”, essas palavras deram o tom da abertura que Luiza Helena Trajano, presidente da Magazine Luiza , fez durante a Elo 2009, evento da Neogrid. A executiva fez questão de enumerar diversos outros cenários catastróficos para a economia mundial desde a Crise de 29 até os dias de hoje e lembrar que o mundo sempre superou esses momentos difíceis. “Nós não podemos deixar de enfrentar a crise. Temos que encarar de frente”.

Para a empresária, o grande motivo de problemas econômicos nas empresas é “pensar pobre, agir rico e ficar devendo pra todo mundo”. Luiza acredita que é indispensável seriedade nas contas e mais compromisso com o futuro. Após mostrar uma carta que escreveu para o filho, ela deu um conselho ao público na educação econômica das novas gerações:

- Habituar os filhos de que dinheiro é muito sagrado, mas que eles podem sonhar. Ensine a eles a terem uma missão, valores e lutar por tudo isso.

Confira parte da fala da empresária no vídeo abaixo: