Uma questão que a maioria da população não tem noção é como a carga tributária penaliza drasticamente a classe social mais pobre do Brasil. É fato que algumas mercadorias (frutas, verduras, leite, farináceos, por exemplo) não são oneradas pelos tributos sobre mercadorias e serviços (PIS/COFINS/ICMS/IPI).

Entretanto, existem itens que são adquiridos tanto pela classe mais favorecida como pela classe menos favorecida do país e é sobre este ponto que chamamos a sua atenção. Por exemplo, temos um produto alimentício enlatado no valor unitário de R$ 3 com tributos, já embutidos no preço, no valor de R$ 0,64, ou seja, quase 22% do preço final.

Para uma família com, por exemplo, uma renda total equivalente a um salário mínimo de R$ 415,00, o valor de R$ 0,64 de tributos, sobre a compra daquele produto alimentício, representa 0,154% do total da renda familiar. Ao passo que para uma família com uma renda total de R$ 15.000,00, por exemplo, o valor de R$ 0,64 de tributos, representa 0,0043%.

Conclusão: A carga tributária neste produto é 36 vezes maior para a classe menos favorecida, em comparação com a classe mais favorecida.

Em pesquisa recém-lançada, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apresentou ao Senado, um levantamento que aponta como a mudança no Imposto de Renda poderia suprir a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e resultar em aumento de renda para as camadas mais pobres da população.

Veja a pesquisa do Ipea

Leia mais aqui.

Miguel Abuhab
22 julho 2008

União de forças ou queda de braços?

Nicholas Negroponte costuma dizer que antigamente era preciso que as pessoas estivessem preparadas para as mudanças periódicas que aconteciam no ambiente. Atualmente, a mudança é o próprio ambiente.

Dentro desta perspectiva, é necessário frisar que o Projeto Brasil Forte vai além das propostas de redução de alíquotas dos tributos, maior formalidade na economia e desenvolvimento econômico.

Penso que o segredo para o crescimento (pessoal ou não) está na constante inovação, responsabilidade social, governança corporativa, melhores práticas de gestão e, acima de tudo, nas estratégias. Não basta ter idéias, é preciso organizá-las.

Após o almoço realizado com 14 blogueiros, há menos de um mês, percebi que o trabalho de formiguinha gerou resultados gratificantes.

Abaixo, alguns blogueiros que apóiam o Projeto Brasil Forte.

Fabio Sbarai, do blog De repente, mostra que aprovou a discussão da simplificação tributária, e aprova o “uso do megafone”.

Diferente das tradicionais coletivas de imprensas burocráticas, o almoço promoveu uma discussão de idéias envolvendo simplificação tributária com pessoas que entendiam do assunto ou até mesmo aqueles que palpitavam [meu exemplo].A idéia é de destaque e merece tal importância. Percebe-se, paulatinamente, o que a blogosfera é capaz. A missão será, ao menos, complicada. Os conteúdos produzidos são “pesados”, merecem um tempo de leitura e reflexão.

Wagner Fontoura, no blog Nossa Via, além de comentar um pouco sobre o livro que conta minha história, convida seus leitores a participarem do projeto Brasil Forte.

Pra mim, que não sou especialista em questões tributárias, depois de estudar a proposta do Miguel, não tive nenhuma dificuldade em entendê-las e me pareceram factíveis. Se temos o cenário propício no Brasil para propô-las já é outra história. De um modo ou de outro, não é por acaso que o grupo de defensores da idéia se auto-intitula Formigas com Megafone.

A brasiliense Vanessa Rocha, do blog Vanhomrigh, mostrou-se feliz ao conhecer o projeto Formigas com Megafone.

É exatamente assim que nos sentimos quando tomamos alguma iniciativa que vá melhorar o mundo: como formigas. E não estou me referindo a iniciativas grandiosas para salvar o mundo inteiro não. Estou falando dos poucos mil metros que nos rodeiam em nosso endereço mesmo.

Rodrigo Santiago, do blog Progresso, “mexeu os pauzinhos” e mandou para diversos senadores um e-mail manifesto pedindo o veto da CSS. Recebeu uma resposta do senador Álvaro Dias.

Da tribuna do Senado já me pronunciei contra essa aberração constitucional aprovada pela Câmara. O projeto que restabelece a CPMF com o apelido de CSS é afronta ao povo brasileiro que não agüenta mais pagar tanto imposto. Não há argumento inteligente que possa justificar essa atitude do governo. Falar em Reforma Tributária e aprovar projeto criando novo imposto é falsidade. A CSS é um escárnio, um equívoco e uma afronta à sociedade. A verdade é que nunca se arrecadou tanto imposto no Brasil. Os brasileiros não agüentam mais esta pesada carga tributária. A arrecadação está tão boa que outro dia o governo pediu ao Congresso autorização para repassar ao BNDES 12,5 bilhões de reais para que ele financie projetos em outros países, como o metrô de Caracas, na Venezuela.Há,portanto,dinheiro suficiente para aplicar na Saúde, sem ser preciso sacrificar ainda mais o contribuinte brasileiro.O Senado deve rejeitar essa ofensa à inteligência nacional. Desde já esclareço que vou votar contra a aprovação deste novo imposto que o governo do PT quer impor ao povo brasileiro.
Grato pela mensagem e receba o meu cordial abraço, Álvaro Dias

Durante o almoço gravamos um vídeo com Pedro Doria durante o almoço do lançamento do blog Formigas com Megafone, e ele também apóia o Brasil Forte.

[youtube pKbvrF0Gtw0]

Usem o megafone e juntem-se a nós!

Maria José Paulin
7 julho 2008

A carga tributária não perceptível

Fala-se muito sobre a alta carga tributária brasileira, em torno de 39% do PIB. “Carga tributária de primeiro mundo e serviços públicos de terceiro mundo”. Para não ser injusta, reconheço que existem exceções no serviço público que merecem elogio.

Pesquisa do IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário apontou, em 2007, um custo estimado de 5,82% do PIB a que as empresas brasileiras estão sujeitas para cumprirem todas as exigências legais para o pagamento dos impostos e contribuições sociais (emissão de Notas Fiscais, escrituração de livros, manutenção de arquivos em papel e digital, apuração de impostos, preparação e entrega de declarações, demonstrativos periódicos e guias de recolhimento, etc).

Esse custo de 5,82% é tido como uma tributação oculta e, com certeza, é repassado ao preço dos produtos que servirá de base para o cálculo dos tributos sobre mercadorias e serviços (PIS/COFINS/ICMS/IPI/ISS), onerando ainda mais o consumidor final.

País algum se sustenta com este tipo de situação. É imprescindível que se crie um mecanismo simples de arrecadação de tributos e uma simplificação no Sistema Tributário Brasileiro. E é esta a proposta do Projeto Brasil Forte.