Alencar Burti
28 maio 2008

Ética e responsabilidade

Quando vemos ruas mal cuidadas, é comum que a  população contribua para degradar ainda mais o ambiente, nelas jogando lixo,  agravando a situação. É comum observar-se ônibus velhos e danificados serem rabiscados e até terem seus bancos cortados, tornando ainda mais deplorável a  condição dos veículos, em prejuízo dos próprios usuários. Inversamente, como o Metrô está sempre bem cuidado, não se observa atos de vandalismo contra os trens ou estações. Há, sim, uma natural preocupação de preservá-los.

O que isso demonstra? A nosso ver, revela  que os exemplos, especialmente os que vêm de cima, acabam influenciando o comportamento da população, que olhando o descaso, seja de autoridades, ou de empresários, nos serviços públicos que oferecem, adota também um comportamento  de desleixo com o ambiente ou com os meios de transporte de que se serve.

Isso também pode ser observado no tocante ao campo da  ética. A conduta daqueles que detêm poder em qualquer esfera de atividade,  seja pública ou privada, acaba influenciando o comportamento dos demais.

Infelizmente, a sucessão de escândalos,  que todos os dias são noticiados envolvendo autoridades, funcionários  públicos, parlamentares, policiais, empresários,esportistas e representantes  de muitos outros segmentos, está criando na população não apenas uma espécie  de insensibilidade a fatos relativos à coisa pública, como de desinteresse com  relação a valores éticos, que no passado serviam para nortear sua  conduta.

Os parâmetros com que se avaliavam os  comportamentos vão se alargando a ponto de não mais se saber o que é certo e o  que é errado, criando, especialmente nos jovens, uma situação de perplexidade,  que, aos poucos, vai sinalizando para eles que “o importante é levar vantagem  em tudo”, em uma generalização da famosa “Lei de Gerson”.

Quanto mais se observa a deterioração da  conduta daqueles que, por suas posições, deveriam servir de exemplo para os  demais, mais permeia por toda sociedade a sensação de que aquilo que os  jornais noticiam como desvios de conduta de alguns é a norma geral de  comportamento de todos que detêm algum tipo de poder.

Isso justifica que cada cidadão também possa buscar  seus interesses sem maiores preocupações éticas, sem temer a reprovação dos  demais. Mas o pior é que a sensação de impunidade observada na maioria dos  casos, seja pela morosidade da Justiça seja pela falta de empenho na apuração dos  fatos, vem afastando até mesmo o medo natural de punição nos casos deatos  sujeitos à legislação penal.

Ou o Brasil resgata os valores que nortearam sua  trajetória como uma grande Nação, o que exige maior responsabilidade daqueles  que têm alguma parcela de poder, ou caminharemos para uma situação de  amoralidade e de imoralidade, que comprometerá não apenas o desenvolvimento econômico, como, sobretudo, a formação da sociedade  brasileira.

(*) Alencar Burti é presidente da Associação Comercial de São Paulo  (ACSP), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo  (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil  (CACB).

26 maio 2008

Otimistas vencerão sempre

Em recente viagem à Europa, por coincidência pude ler, no jornal Financial Times, de Londres, com o título acima um artigo publicado e assinado por Luke Johnson, empreendedor e empresário da capital britânica. Confesso que fiquei curioso.

O autor do artigo começa seu texto comentando que “se quiser ficar deprimido todos os dias, procure ouvir o programa, ou entrar no website, do TODAY da BBC”. Segue observando e generalizando que a mídia parece enfocar que os acontecimentos mundiais são sempre terríveis, e o mais grave, tudo vai ficar pior.

Continua o articulista londrino, que prevalecem questionamentos constantes sobre tudo, dentro de um permanente ambiente de ceticismo. E, ao longo do seu artigo, questiona se há necessidade de ser sempre assim?

Como observação do nosso lado, parece que no Brasil esse clima também não está distante, embora possamos ter razões de sobra para comemorar avanços não somente no ambiente local como em todo o mundo, embora muito ainda deve ser corrigido e ser feito.

A humanidade tem conseguido progressos fantásticos nos campos da ciência e da tecnologia. Se falarmos em telecomunicações, por exemplo, o nosso país dispunha, em 1990, de apenas dois milhões de telefones instalados em residências. Hoje, com quase 20 milhões de posições fixas agregam-se cerca de 140 milhões de celulares. Estamos nos aproximando da inacreditável quantidade de um telefone para cada habitante.

Em que pesem todos os problemas do transporte aéreo brasileiro não se pode deixar de admirar os fantásticos aviões de hoje, sofisticados e seguros, que prestam um serviço às pessoas e ao país difícil de ser quantificado pelo que representa como contribuição ao desenvolvimento econômico. O avião aqui é usado como exemplo, mas os mesmos atributos de avanço e habilidades das equipes de projetistas estão presentes na criação de uma miríade de produtos, os mais variados, que tornam nossas vidas mais fáceis e eficazes.

Os intelectuais estão produzindo trabalhos realmente destacados. Pensadores trazem à luz problemas e soluções sociais não imagináveis há poucos anos. A ciência projeta melhorias no campo da saúde e bem-estar generalizado, trazendo resultados concretos para a agricultura, indústria e serviços. A expectativa de vida das populações cresce. Até a circunspecta Organização das Nações Unidas arrisca dizer que o mundo está enriquecendo e que, muito possivelmente, ainda podemos ter a expectativa que a renda per capita mundial neste Século XXI será o dobro do que a se observou no final do segundo milênio.

É claro que dentro dessas perspectivas, problemas existem e que precisarão ser resolvidos. Todavia, o mundo está crescendo pela iniciativa de cientistas, pensadores, intelectuais, técnicos e pessoas em geral que acreditam. Que acham que podem moldar um futuro diferente. Que investem no desconhecido para aprender e produzir mais. Com a coragem dos vencedores arriscam-se a novos caminhos para que possam, através do desenvolvimento de seus estudos e pesquisas, produzir algo melhor e que contribua mais para que a vida de todos se torne mais fácil.

Recentemente foi divulgado que não se começa uma nova guerra no mundo há três anos e se constata que é a primeira vez, na história da humanidade, que isto ocorre. Paralelamente, nestes anos o comércio exterior internacional atingiu números, e marcou recordes, jamais vistos no passado. Será que a grande esperança da paz mundial será obtida através do mercado de trocas entre países, regiões e pessoas?

Todo este cenário justifica otimismo e parece que Luke Johnson tem razão. Não há necessidade de tanto pessimismo e de tamanha quantidade de fé ser jogada nas existências dos “fazedores de riqueza” do mundo produtivo moderno. Há muito o que fazer e produzir. A economia global oferece desafio para todos. Uma boa idéia, de alguém que seja pequeno, pode derrubar um grande nome da produção mundial. Não há mais barreiras para que qualquer iniciativa, começada mesmo fora das regiões tradicionais, não possa lograr êxito no competitivo, mas competente, mercado mundial.

Assim, a mensagem de Luke Johnson, vinda da Inglaterra, é que devemos pensar grande e que, para aqueles que tenham confiança em produzir fatos e períodos futuros melhores, não há necessidade de sucumbir perante a quantidade de más notícias que nos chegam todos os dias.

Publicado na Gazeta Mercantil em 05/05/2008

Formigas com Microfone
16 maio 2008

Cobre pelo que te cobram!

Você sabe quanto paga de impostos? E quais impostos paga? O Formigas com Megafone entrevistou a consultora tributária, Maria José Paulin, para saber um pouco mais sobre o que pagamos todos os dias, muitas vezes sem saber o que é feito com o dinheiro arrecadado.

Quais os impostos que a população paga?

Os mais comuns pagos pelo consumidor são o ICMS, que incide sobre mercadorias, e o ISS, que incide sobre prestação de serviços (estacionamento, cabeleireiro, escolas particulares, médicos, dentistas, hospitais, lavanderia, academia de ginástica, etc.). As alíquotas destes impostos variam dependendo do produto ou serviço, mas em média, o ISS representa 5% sobre o valor do serviço e o ICMS 18%. Este montante está embutido no preço dos produtos e serviços, ou seja, o imposto é calculado sobre ele mesmo. Em algumas situações outros impostos e contribuições estão embutidos no preço do produto que não incidirão no momento que você vai comprar a mercadoria, mas já incidiram em etapas anteriores. A carga tributária de uma mercadoria gira em média em torno de 30%, mas pode chegar até aos 50%.

Como vemos o retorno dos impostos que pagamos hoje no nosso dia-a-dia?

É preciso que haja fiscalização da população. Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que, na cidade de São Paulo, nos bairros onde a classe é mais culta e cobra mais seus direitos, a prefeitura investe mais. Apesar de todas as classes pagarem a mesma carga, as pessoas que moram na periferia ou pertencem a uma classe menos favorecida não têm tido os mesmos direitos. Elas têm que aprender a reclamar, pois apesar de, por exemplo, terem isenção de IPTU por morarem em pequenas casas, elas também pagam impostos sobre as mercadorias e serviços que compram.

Como as pessoas podem fiscalizar, cobrar? Qual sua dica para isso?

Antes de mais nada, as pessoas têm que ter a consciência que são eleitoras. Apesar de termos o poder do voto em mãos, poucos são os que o usam de maneira consciente. Acredito que o principal caminho é falar com seu deputado ou vereador, associação de bairro ou regional da prefeitura e reclamar. O deputado ou vereador não tem que ser lembrado só no dia das eleições, tem que ser cobrado o tempo todo. A favela da Vila Prudente, por exemplo, funciona como uma cidade. Ela tem uma associação forte que luta pelos direitos dos moradores. Ninguém consegue removê-los daquele local.

Não há milagres. Temos que cobrar das autoridades os nossos direitos.

Miguel Abuhab
1 maio 2008

O meu sonho também é seu

Todos nós temos um sonho. O meu é o de tornar este país cada vez melhor e mais forte! Uma das formas que eu encontrei há 5 anos, concilia a minha experiência pessoal, como uma pessoa inquieta e visionária, e profissional, como um empreendedor que sempre buscou melhorar a vida dos seus clientes.

O caminho escolhido por mim, impulsionado por políticos, empresários e pessoas dos mais diversos perfis, foi batizado de Projeto Brasil Forte. Em síntese, sugiro uma simplificação tributária para o país, de maneira que todas as camadas da sociedade contribuam de forma mais equalizada e desfrutem dos benefícios da arrecadação de forma justa.

Como não poderia deixar de ser, recorri à internet, o meio mais democrático para falar, ouvir e discutir assuntos de interesse comum. Dessa forma será possível compartilhar com você o que foi feito no passado, vem sendo feito no presente e, possivelmente, será feito no futuro. Entenda que o seu papel não é o de leitor, mas sim o de colaborador, preferencialmente, ativo.

Certa vez, em uma de minhas reuniões para apresentação do Brasil Forte, ouvi uma frase que faz jus a este ambiente web. Quero fazer algo hoje, pois quando olhar para trás, desejo ficar de consciência tranqüila de que eu não me omiti. Acreditando no que fazemos, temos a oportunidade de trabalhar por esta geração e pelas seguintes. E assim deve ser a vida, não?! Aguardo a sua iniciativa, pois juntos teremos muito mais força.

Seja bem-vindo!